Dedicado a Juvêncio de Arruda. Para quem Belém, pelo abandono, pela incivilidade pública, pela destruição sistemática da esperança de cidadania - embora ele lutasse permanentemente por ela - deixou de ser Santa Maria de Belém do Grão Pará.

 

Na famosa carta a Mário de Andrade, escrita na chegada a Manaus, em junho de 1927, Manuel Bandeira declara sua paixão a Belém dizendo “... Quero Belém como se quer um amor...”.
 
Oswald de Andrade no Manifesto da Poesia Pau-brasil diz: “... Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará...”.
 
Paes Loureiro mostra o Largo do Relógio com “... Sacadas e calçadas. Namorados. E a palavra amor voando de alto a baixo...”
 
A mim, no século XXI, sobrou despedir-me a cada dia de Belém com uma tristeza infinda.
 
Não. Não sou imbecil e não acuso Duciomar Costa de, sozinho, ser o responsável pelo caos de Nova Déli. Nosso Átila-no-tucupi recebeu e recebe muitas contribuições do passado e no presente e das questões que não são inerentes à sua capacidade (sic) de solucionar problemas. A diferença é que há municípios e cidades que avançam na melhora do presente, apostando na participação organizada da sociedade, no compartilhamento de decisões, no planejamento estratégico com vistas ao futuro, coisa que o nosso alcaide não faz e não deixa fazer.
 
Na sua medíocre, egocêntrica e danosa visão de metrópole – para ficar só nos elogios semânticos – Duciomar Costa em oito anos (ou seis, pois o Senado acena para ele e ele para o Senado, junção perfeita de desejos nesta era lulo-sarneysista) deixará danos graves, como o agravamento da apropriação do espaço público pelo interesse privado, o cinismo como argumento contra as evidentes comprovações de mau uso e/ou uso indevido de recursos públicos, típicos de gestões irresponsáveis e lamentavelmnte reeleitas, mas o maior deles é o sufocamento da então nossa recém nascida– via Almir Gabriel, através da ASCOM então coordenada por Mariano Klautau, e não apenas por Edmilson Rodrigues - participação popular na gestão pública.
 
Esse é o maior crime de Duciomar e, talvez, o que explicará o nosso retrocesso no caminho da cidadania quando alguém, em 2080, quiser compreender porque Belém-parou-parou-por-quê?. Graças ele e à sua danosa intervenção na vida da cidade, será fácil perceber que os processos e mecanismos que moveram esta sociedade, nos idos de 2002 e mais alguns anos, foram centrados no impedimento da participação na gestão, no descolamento da co-responsabilidade dos cidadãos nos bons e maus resultados e no desalentador sentimento de estávamos apartados da cidade onde vivíamos.
 
Esse será o maior legado de Dudu.
publicado por Adelina Braglia às 20:19 | link do post
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